Análise Estética

A palavra “estética” vem do grego aisthésis, e significa percepção ou sensação. Na antiguidade, os filósofos associaram a estética a objetos belos, criando uma distinção entre a beleza natural e a beleza artística.

Platão afirmava que a beleza era decorrente da proporção e da harmonia. Já Aristóteles, atribuia a beleza à ordem, simetria e definição. Naquela época, entendia-se que o belo só poderia ser alcançado, se o objeto tivesse alguma identidade com os valores morais. Este conceito prevaleceu até a idade média, quando os filósofos dissociaram a estética da moral e da lógica. O alemão Alexander Baumgarten foi o primeiro a utilizar o termo “estética” em sentido filosófico, para representar a matéria que trata do conhecimento sensorial.

Atualmente a estética é a parte da filosofia que se ocupa em definir o que é uma obra de arte, e o que a torna bem-sucedida.

Tem coisas que são arte mas não são belas  //  Tem coisas belas, que não são arte

 

Experiência estética

O homem é formado em parte por razão, em parte por emoção. A maneira como ele reage aos estímulos do mundo externo tem a ver com sua história de vida, com os costumes de sua comunidade. Uma obra de arte pode despertar a sensação de agrado ou de desagrado. Os artistas exteriorizam suas emoções, mas também o fazem de forma que o público também possa experienciar emoções quando contemplar sua arte.

A experiência estética possui natureza contemplativa, ao contrário da experiência cognitiva, na qual só interessa a ampliação dos conhecimentos. Pessoas que conhecem diversos estilos de pintura, são capazes de identificar rapidamente uma obra e seu lugar de orígem, enquanto que a experiência estética contribui para enriquecer a percepção, e é um momento a ser saboreado.

A experiência estética varia de acordo com a história de vida do indivíduo. É como se a obra pudesse oferecer estímulos diferentes a cada pessoa. A experiência estética, portanto, pressupõe a participação ativa do público.

 

A beleza está nas coisas ou nos olhos de quem a vê?

Uma flor acaso tem beleza?

Tem beleza acaso um fruto?

Não: têm cor e forma

E existência apenas.

A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe

Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.

Não significa nada.

Alberto Caeiro

 

Há explicação para os juízos estéticos?

Tradicionalmente, o juízo afirma ou nega um predicado de algo.

  • O filme Hair é excelente
  • Hidrolândia não é uma cidade bonita
  • Ricardo Semler é um escritor genial

Juízo estético é a apreciação feita sobre algo, em função do gosto pessoal, por esta razão, nem sempre está baseado em critérios objetivos.

  • Gosto do filme Hair
  • Acho Hidrolândia uma cidade feia
  • O estilo do Ricardo Semler me agrada

 

Note que as três primeiras observações (Juizo) referem-se a um padrão de beleza universal, independente de preferências pessoais, e como se as referências apresentadas fossem amplamente aceitas. As três observações seguintes (Juízo Estético) não têm justificativa intelectual que as suporte, somente o gosto pessoal.

O filósofo Immanuel Kant foi pioneiro em distinguir o que é estético do que não é. Kant defendia que um juízo só é estético se for determinado por um prazer desinteressado. A experiência deve provocar sensações desvinculadas dos desejos humanos.

Há um relativo consenso entre algumas coisas consideradas belas, e isso faz crer que há qualidades intrínsecas que atribuem beleza a algo. Quem acha a Gisele Bundchen feia?

Eu acho tal objeto bonito.  ==> Tal objeto é bonito, de acordo com o padrão geral.

A beleza está nos olhos de quem vê?